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Sabe a quanto tempo estou aqui
Observando os fatos
De plena insipiência?
Tenho por muito que não me vejo,
Ando por tanto que não me encontro,
Tanto que desejo que não mais quero,
Imagino tanto que não sei mais
Das verdades ou mentiras que me contam...
Tenho tudo o que quero
E mais do que preciso,
Quanto mais tenho mais espero
Quando tudo acabar vamos ao cemitério...
De sede morri num vale de lágrimas,
No fogo ardi de tamanha labuta,
Ao frio tremi de única solidão,
Meus troféus todos podem ver
Alguns defeitos consigo esconder,
No espelho vejo apenas o que me cabe
No coração penso em tudo que constrói
Quem sabe minha mente não se acalma
E afague a minha alma que tanto dói?...
Sou como um pássaro ferido no ninho
Machucado já não posso voar,
Limitado por idéias e verdades
Preso já não me cabe sonhar
Deixemos a poesia pra lá...
Quando o dia nasce, pra mim é o fim,
Ninguém realmente sente nada por mim
Só por que não nos importamos com ninguém
Que tanto faz, tanto fez ou se está tudo bem,
E sei que a Lua do meu alcance, está além,
Sei que minha voz é universal
Mas não entendo a língua do coração,
Sei que meu medo causa revolução
Mas não tenho uma principal razão
Por meu coração doer mais que os outros
Mesmo dos outros que nunca vi,
É porque o meu amor não me entende,
Eu quero um mundo perfeito
Eu sou o Sol, mas estou em Plutão
Um gelo vivo em zelo absoluto
O sangue escarlate que escorre da espada
A velha estrada perdida
Sou música em raiz fundida
Sou para toda a vida.
Já que a carne a morte leva,
Pior, é quem a espera.
em: Set. 2006